Sábado, 14 de Janeiro de 2012

Já tenho as ferramentas, mas continuo com os braços, ou as mãos?, perros.

É uma contínua sensação de vontade cortada.

publicado por AMS às 21:50

Quinta-feira, 04 de Agosto de 2011

Não. Claro que não.

Na cabeça de alguns pensadores estáticos conferem, ao menos, um estatuto de não-ignorante. Mas todos sabemos que nem sempre é verdade, pelo que até esse pseudo-estatuto deixa de ter credibilidade.

E quando se fomentam inscrições atrás de inscrições em cursos sem objectivo, a responsabilidade é de todos nós.

Criamos um modelo para criar desemprego. Suportamos um sistema que alimenta as filas de desempregados que temos de suportar depois da formação académica. É como pescadinha de rabo na boca.

E para isto, ainda foi preciso tirarem um curso!

Pensemos, de olhos abertos para o mundo real: não há dois anos iguais. A nossa sociedade altera-se, muta-se, ajusta-se, diariamente. O mercado de trabalho - as respostas às necessidades existentes e às que surjem pela primeira vez - é sempre diferente.

Não precisamos do mesmo tipo de sapatos que precisávamos há uns anos atrás.

Não precisamos das mesmas quantidades nem dos mesmos materiais.

Projectemos isto ao resto do universo de investigação, produção, comercialização, distribuição, venda e consumo.

O papel de fotocópia que utilizo no escritório hoje é diferente do que utilizei há 10 anos atrás na outra empresa onde

trabalhava. As impressoras mudaram, desenvolveram-se. As fotocópias já não são tão necessárias com a expansão da

digitalização. A indústria produtora de papel tem de se alterar. Os seus fornecedores também.

E daqui a uns 5 anos, vai voltar a ser diferente. Senão antes.

A minha dieta alimentar de hoje é radicalmente diferente da que era no passado. Tem de existir uma capacidade de resposta em variedadepor parte dos produtores que seja eficiente para o meu próprio desenvolvimento pessoal.

Para que nos serve um bibliotecário, se a consulta de obras literárias for via base de dados digital? Para o reabsorvermos no mercado, temos de esperar que tenha conhecimentos noutra especialidade (necessária) ou aguardar que se forme noutra área, por exemplo. Antes disso não tem utilidade. Depois disso já não tem também. Os anos de formação que teve de investir estão agora mais desadequados. No final do curso, existem já outras correntes ideológicas que integram agora a nova versão do curso.

Para que nos serve um professor de filosofia, se o mercado já tem 5 mil à procura de uma vaga para leccionar?

Para que nos serve um tipógrafo se já não se imprimem livros?

A lista de interrogações é imensa. E essas pessoas não sabem nem estão preparadas, na grande maioria dos casos, para fazer outra coisa. Pelo menos para a fazer com a qualidade e/ou especialização desejada.

Mas hoje, dava jeito uma pessoa que soubesse mexer-se num ambiente multicultural de uma multinacional de advogados, por exemplo. Teria de ter formação em Direito, mas também em economia? em sociologia? Em línguas? Em arte? Imaginem um advogado de regulamentação de comunicações não dominar a língua inglesa nem as novas tecnologias.

Qual o perfil que a empresa precisa hoje - agora - para a vaga que tem?

Não é um contabilista que não percebe nada de gestão, nem um gestor que não domine a perspectiva contabilistica dos recursos.

Um vendedor tem de conhecer o produto que vende, a melhor forma de vender para cada cliente e garantir o acompanhamento pós-venda, seja em que medida for. Na era da globalização, tem de conhecer os diferentes tipos de clientes - por vezes diametralmente opostos, com necessidades diferentes. Tem de saber chegar ao mercado nacional e ao mercado internacional. Não basta formação comercial. Não basta formação de produto. Não basta formação de vendas.

Sobretudo porque para o ano, a necessidade vai ser diferente e o produto também. Tem de saber acompanhar, antecipar, planear, desenvolver. E não se vai lá apenas com a formação tradicional de "vendedor".

Se não acompanha a mutação, engrossa a fila dos desempregados.

Há que garantir que sabemos reinventarmo-nos à medida dos cenários. E no nosso mundo, os cenários mudam com a rapidez dos cartazes de cinema.

Promovemos os nossos próprios problemas ao mantermos um ensino académico distante das necessidades do mercado. Com base num projecto ou necessidade específica enveredo por um curso... que concluo passados 4 anos. A necessidade inicial já não existe. Pelo menos não da mesma forma. Saio da universidade desenquadrado da sociedade que para lá me enviou.

Imaginem então, um supermercado de saber. Ou de informação, como preferirem.

Não tenho tempo mínimo ou máximo para fazer as minhas compras nesse supermercado. Como em qualquer supermercado. Vou às prateleiras que me interessam e retiro os produtos que me interessam de entre a variedade de escolhas que todas as escolas me oferecem. Mas, como num supermercado normal, não preciso cingir-me a uma marca. Escolho o que se me adequa ou me seduz ou necessito.

E hoje, preciso mais deste produto, mas daqui a um mês vou precisar também de outro. Posso ir ao supermercado uma vez por ano, ou todas as semanas. Eu é que sei a melhor forma de fazer as minhas compras.

Sempre que necessitar, há um gabinete de assistência ao cliente. Ajuda-me com os produtos, conhecer melhor alguns detalhes, esclarecer dúvidas de operacionalização.... E o supermercado tem sempre promoções, que convém aproveitar. As escolas fazem as suas campanhas de marketing, as suas próprias ofertas e eu, como cliente, avalio.

A minha versatilidade intelectual alarga-se e redimensiona-se à minha vontade, à minha dinâmica e ao meu local de trabalho. E não fico excluído de um sistema de aprendizagem ao fim de meia dúzia de anos. Facilmente, ao longo da minha carreira, posso procurar o que mais me auxiliará nas minhas responsabilidades ou exigências. Quando estiver nos 60, posso ir ao mesmo supermercado e actualizar-me com alguns dos produtos mais inovadores. Ou mesmo procurar algo que me auxilie a compreender as dificuldades dos meus netos, para melhor os auxiliar.

Eu decido. O quê, o quando, o como. E posso sempre complementar, crescer, reaprender.

O meu certificado de habilitações reflecte as áreas nas quais me propus a uma avaliação. Porque estas interessam-me a nível profissional e outras fazem parte de um desejo de desenvolvimento pessoal. E pode ser melhor e mais vasto a cada ano que passa.

Se o meu desejo não é essa dimensão de saber, eu escolho que não o seja. Ou vejo a minha sensibilidade alterar-se e o meu acesso ao conhecimento facilitar-se quando, dali a uns anos, me vir seduzido digamos,  pela manutenção de máquinas. Vou. Escolho. Especializo-me.

Posso ficar anos sem fazer compras e depois decidir aprender. O que mais me convier naquele momento. O que mais o meu mundo precisar naquele momento. Se a necessidade se esvanecer dali a 2 anos, vou procurar conseguir responder a uma outra que tenha surgido.

Se no decorrer do meu trabalho, a empresa onde me encontro passar por uma fusão com uma empresa russa, vou ao supermercado e procuro saber. Aprendo russo, por exemplo. Sem o condicionalismo de um módulo pré-formatado, preso no tempo e no espaço.

Sempre que precisar, o gabinete de apoio ao cliente lá estará para me ajudar. E se conseguir acelerar o meu percurso posso terminar em 9 meses o que hoje poderia estar cingido a um modelo hermético de 1 ou 2 anos. Eu decido o meu passo. No final escolho ou não validar esses conhecimentos por meio de uma avaliação rigorosa. Eu decido.

Eu e o meu mundo real do agora.

Enquanto empregador, falo com o supermercado para saber quais os clientes que mais compras fazem em determinada área. Ou vejo se o supermercado implementou um sistema de cartão de cliente, onde estejam registadas as compras efectuadas por cada um. Adiciono a isso a lista de habilitações acreditadas da base de dados e cruzo a informação toda para encontrar o que se adequa ao perfil que preciso.

Posso mais facilmente encontrar um Director de Marketing, fluente em alemão e com alargados conhecimentos financeiros e comerciais. Além do mais, tem ainda formação em psicologia. É ideal para integrar a direcção de uma empresa farmacêutica multinacional alemã, com produtos na área da psicologia. Por exemplo.

O factor idade é irrelevante. O percurso de aprendizagem e investigação pessoal, aliada à experiência (ou não) revela o

perfil do candidato. No fim, o meu director de marketing é uma senhora de 52 anos,que trabalhou já em inúmeros projectos, com sucesso reconhecido, e domina as áreas necessárias, ou desejáveis, para a posição. Acompanha as novas tecnologias e as novas ideologias. Está atenta. Actual. Activa.

Se a minha reforma é aos 60 ou aos 70, eu decido. O apoio do Estado é calculado em função das minhas horas de serviço, dos meus descontos para a Segurança Social e dos meus descontos para o meu fundo de pensões pessoal. Este existe desde o meu primeiro dia de trabalho. É obrigatório. Nada mais.

Os investigadores do agora podem ser os de amanhã. Se o forem, os profissionais de agora podem ser os de amanhã também. Se estagnarmos nos nossos modelos de auto-reconhecimento académico sem aplicabilidade prática, tornamo-nos inúteis e um peso para a sociedade. Endividamo-la.

publicado por AMS às 20:14

Segunda-feira, 08 de Setembro de 2008

Segurava-lhe a mão fragilizada, de dedos prostrados.

Estava sucumbida ao cansaço, ao torpor da dor que a percorria, mas aquela mão na sua, aquecia o pensamento.

Era também o único contacto consciente com o exterior. Havia as vozes difusas e os vultos brancos e apressados mas estavam rodeados de um sentimento de estranheza e desconforto, pelo que os relegava para longe.

 

Passaram-se muitas horas, houve algum ruído, braços nos seus, corpos junto a si. Amparavam-na, seguravam-na, falavam-lhe.

 

Depois sossegou.

 

publicado por AMS às 14:47

Segunda-feira, 15 de Outubro de 2007
Cap I

Infância de pé descalço, adormecido na terra batida do chão da sala.
Rosto redondo, sempre feliz, rodeado pelo crepitar da lenha nos serões aconchegados pelas histórias da avó.

Que saudades daquele rosto. Do cheiro das suas mãos, do calor dos seus olhos.

Lembro-te aqui, nas memórias que me deixaste durante as últimas conversas susurradas que tivémos. Como confissões que urgia verbalizar. Ainda te disse para o fazeres, mas havias desistido do legado na primeira pessoa. Querias apenas os outros, os teus. Esses que deixaste, contrariada, para trás.
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publicado por AMS às 16:28

Terça-feira, 26 de Junho de 2007
...







publicado por AMS às 12:07


publicado por AMS às 12:06

Segunda-feira, 17 de Julho de 2006
diário
publicado por AMS às 10:48

Sinopse
publicado por AMS às 10:47

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